Sim Sim Sim, do Bala Desejo

Antes do Bala Desejo existir, seus integrantes já tinham uma trajetória própria. A banda foi apadrinhada pela sambista Teresa Cristina, Lucas Nunes tocou com Caetano Veloso, Zé Ibarra com Milton Nascimento, Dora Morelenbaum já fez feat com Maria Bethânia e Júlia Mestre tem relação próxima com os Gilsons. Só isso já seria motivo de sobra pra olhar pro Bala Desejo, porém não é só o currículo que impressiona: a sonoridade da banda que atualiza as referências da tropicália e mistura um sentimento de nostalgia com modernidade é interessantíssima e ainda vai dar muito o que falar.

Faixas destaque: Lua Comanche, Baile de Máscaras e Dourado, Dourado.

Paraíso da Miragem, de Russo Passapusso

Oito anos após ter lançado o seu disco de estreia, Paraíso da Miragem (2014), Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem, está de volta com mais uma produção solo. Porém, agora, na companhia dos ídolos Antônio Carlos & Jocafi, que foram responsáveis por trilhas sonoras icônicas de novelas dos anos 1970. Alto da Maravilha soa como uma continuação do debut de Russo, porém ganha camadas e nuances novas calcadas em ritmos africanos, no ijexá e no samba rock. É um encontro lindo entre gerações da música baiana. O álbum ainda conta com participações especiais de Gilberto Gil, Curumin e Karina Buhr.

Faixas destaque: Mirê Mirê, Vapor de Cachoeira e Pitanga.

No Reino dos Afetos, de Bruno Berle

Construído com base em climas e narrativas, o disco No Reino dos Afetos, do alagoano Bruno Berle e do produtor batata boy, vai do lo-fi hiphop ao samba, até ao highlife e a números acústicos de voz e violão sob o véu das sonoridades contemporâneas e características dos anos 2020. É um disco solar, sensível e leve que não deve ficar em 2022.

Faixas destaque: Até Meu Violão, O Nome do Meu Amor e Som Nyame.

V, da Maglore

Em seu quinto disco de estúdio, a banda baiana Maglore consolida seu lugar na continuidade do rock brasileiro que há tempos não exibia sinais de vitalidade tão potentes. Descendentes na mesma medida dos Beatles e de Jorge Ben Jor, de Frank Sinatra e de Gilberto Gil, de Los Hermanos e do Skank, o grupo liderado por Teago Oliveira decidiu em V priorizar a construção das canções em estúdio, se afastando do conceito de « gravar ao vivo ». E ele acertou em tudo! Produzindo músicas chicletes dignas de ser cantada em coro nos shows.

Faixas destaque: A Vida é Uma Aventura, Eles e Vira-Lata.

Mil Coisas Invisíveis, de Tim Bernardes

Nosso Qobuzissime Mil Coisas Invisíveis (2022) dá sequência a Recomeçar, que foi considerado um dos melhores discos de 2017 pela crítica. O novo disco de Tim segue a mesma « fórmula » do antigo, onde ele nos convida a entrar na sua cabeça, nos seus traumas e nas memórias da vida dele que fala abertamente, de maneira vulnerável e confessional sobre relacionamentos amorosos e questões existenciais. Lembrando a obra de artistas como Fleet Foxes e Devendra Banhart, o álbum é encantador e não pode ficar de fora das listas de melhores do ano.

Faixas destaque: BB (Garupa de Moto Amarela), Última Vez e A Balada de Tim Bernardes.

Em Nome da Estrela, de Xênia França

Em Nome da Estrela (2022) é o segundo disco solo da Xênia França. O álbum mantém a essência da baiana que despontou em 2017 com Xenia, mas se apropria de outros elementos para representar uma nova versão da cantora. Em termos de sonoridades, o disco é bem mais eletrônico que o primeiro e aposta em um soul que se mistura elegantemente com elementos de jazz, teclados psicodélicos, percussões afro-brasileiras e baterias eletrônicas. O álbum conta com participações de Arthur Verocai e Rico Dalasam.

Faixas destaque: Ancestral Infinito, Renascer e Interestelar.